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Carta de suicídio do nosso amor

Sábado, 24.11.18

Meu amor,

Nunca me amaste tanto como a infinidade das tuas palavras fingidas, preenchidas por um sentimento que nunca por ti foi sentido.

E hoje, escrevo à beira de onde jaz um coração partido e um amor antigo.

Alma morta, cabeça perdida, pulmões cheios, peito nu e corpo rasgado: tudo o que resta de um coração vazios, cheio de meios amores.

Nesta história, já não sou eu. Nunca foste tu. E somos apenas, as cinzas do tanto que não fomos.

Antes de partir dizes que me amas, mas mentes porque o que o coração não sente a mente, mente.

Nunca soubeste amar quem, apesar de partido, ficou; E, nem mesmo agora, que vais partir, consegues amar-me?

Tento consertar o meu coração que, mesmo depois de partido desde a tua partida, continua a chamar por ti.

E tomo toda esta minha dor, como o maior pecado de amor: amar quem não sabe amar, porque é esta a única cura: amar um amor que não nos ama, até nos amarmos antes de amar o amor.

Agora, de coração vazio e cabeça cheia leio a nossa tragédia – romance dos contos de falhas. Vivo neste conto, onde com to que o nosso amor acabou antes do meu acabar e antes do teu existir. Quem narra este conto é o meu coração partido que incendiou o meu peito de uma dor que me congela porque sempre amei toda a tua frieza e distancia.

Guardo as saudades na algibeira e coloco o tempo em mim. Agora tenho todo o tempo do mundo: sobra-me tempo, e falta-me nós. Nós, que já não existe, somos fruto do passado que nunca foi presente e que nunca terá futuro. Somos frutos do que fomos e já não somos.

Com os restos mortas do meu peito preencho as minhas unhas com sangue, os meus pulmões com fumo, os meus olhos com lágrimas, a minha vida com desespero e a minha alma com silencio.

Estou presa entre as tuas mentiras e as tuas meias verdades, entre o teu amor fingido e o teu meio amor. Estou presa a um presente que não existe, e que teve mais futuro no passado.

És o amor que chegou tarde – tardas-te em amar, e eu cansei de esperar de ti um amor que nunca chegou.

Somos o amor que nunca chegou. E agora, só chega a saudades, e contrariamente a ti, elas acompanham-me com regularidade.  

Foste, e de mim partiste. Partiste-me quando foste. E quando partiste, foste sem bilhete de volta. Apanhaste o teu voo, e fizeste as malas de uma vida. Desfizeste uma vida. Mataste um amor.

Aprendi contigo, quando não se vem para ficar, qualquer motivo nos fará ir.

Tu nunca me amaste como prometeste.  

Meu amor, tivemos tudo, menos amor.

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publicado por Menina Flor às 22:55


1 comentário

De Anónimo a 27.11.2018 às 11:09

Como sempre"emnomedosilencio" enche-nos o silêncio com palavras barulhentas. Muito bom Menina Flor

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