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És o inferno todo

Sábado, 22.04.17

É estúpido ainda escrever sobre nós (já não existimos mais, eu sei). Não consigo evitar-me de pensar em nós, ou melhor, no que nós éramos e já não somos.

Mil e uma perguntas sem resposta, e a que mais me sufoca são: em que é que eu errei?

Sou vazia, por natureza, e tu preencheste-me, e quando partiste levaste-me contigo, levaste-me a mim e tudo o resto a que me habituas-te.

E agora diz-me como é que eu vivia antes de ti? Desculpa-me, eu esqueci-me que todos, algum dia partem (mas também faz parte de quem fica ficar partido, certo?)

Perco-me mais um pouco no teu sorriso.

Tenho o molde do teu corpo nas minhas mãos, mas perco-o a cada dia que passa. Apagas-te de mim a cada dia, e eu estou tão fraca, e de tão frágil que sou nem consigo impedir que o vento me roube os últimos pedaços que de ti me restam. Maldito vento, consome os últimos vestígios teus que ainda me pertenciam, leva para longe as memórias e traz para perto as saudades de um amor que eu pensei ser o nosso.

Enquanto caminho penso em ti- não devia, eu sei, mas já não me importa o que devo ou não. Um dia, irei parar de pensar em ti, prometo, mas hoje fico-me apenas pelas palavras.

Estás tão perto de mim, e sinto-te a quilómetros de distância de nós dois. E quanto mais perto, mais longe: acabo por te desejar a uma distância ínfima, onde me cortes a respiração e me faças nunca mais querer respirar novamente.

Não passas de um sonho, és uma miragem do inferno: sonho contigo e acordo sem ti. És o inferno todo: quando estou contigo não quero mais ninguém, e quando vais mergulhas-me na ânsia de um querer mais profundo do que o meu próprio ser.

Vou fazer-te um convite, por favor diz-me que aceitas: Queres criar um paraíso comigo?

Escrevo-te para que não ouças a minha voz, mas desejo que quando leias me consigas ouvir e não me cales. Escrevo-te porque confio mais na letra morta, palavras, do que qualquer uso que lhe possa vir a dar. Escrevo-te porque não quero corar. Escrevo-te porque quero evitar sentimentos, assim deixo apenas marcas de tinta numa folha, e tu entendes da forma que para ti for mais conveniente.

Gostava de te dizer que são só fases, mas eu ainda faço frases sobre nós. E acredita, não são manhas porque cada vez que te vejo me perco nas tuas entranhas.

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publicado por Menina Flor às 22:29





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