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Hematomas profundos

Domingo, 12.08.18

Perdi-me: mar

Hoje és mar, és parte dele e devias ser parte de mim.

És mar há três anos, e eu nunca tive coragem de te dizer o quanto gosto do mar, e o quanto odeio que estejas nele.

Foste-te e ficou tudo tão estranho, sem te ver, sem te ouvir. Agora apenas sei de cor o que fazias e gravei em mim um pedaço de ti, em memória do teu nome e do meu amor.

E o teu sorriso ainda me está no coração. E, falavas com ele no rosto, pensando seres o rei da Terra, hoje és rei do mar.

O teu sorriso sabia-me a mar, pena que nunca o provei. Eras mar sem o seres, e hoje és mar sem eu querer que o sejas. Sorriso calmo e revoltado, mas não com a vida. De repente, és consequência daquilo que personificavas. O mar levou-te, e levou-me a mim também.

Sinto-me mal por saber que a única comparação e personificação que poderia fazer se tornou num eufemismo. Que sorte tão irónica.

E uma vida destruída, destruiu tantas outras vidas.

“Tu não sabes a importância de alguém, até o perderes” e eu, que não confio em ditados populares, sinto-me forçada a concordar com este.

Não consigo explicar a dor, nem classifica-la, nem mesmo enumera-la por uma escala da dor. Este é o tipo de hematoma que te fere, e tu simplesmente não dás conta da profundidade, e quando mergulhas em ti afogas-te. Eu afoguei-me em mim, e tu no mar.

Estou no fundo deste hematoma e não me encontro mais em mim, ridículo não é? Como pode alguém perder-se em si mesmo? A verdade é que eu nunca me conheci e talvez por isso me tenha perdido em mim mesma, em busca de me encontrar, como se fosse uma desconhecida num corpo que eu tão bem conheço.

Apresento-te este hematoma como forma de mim mesma, mas por favor, não mergulhes nele.

Sou um sossego confuso, e uma confusão calma, e é isto que eu sou.

Mergulhas no mar, e eu mergulho em mim, e perco-me porque nunca fui quem sou. E deixa-me que me apresente de novo, quando souber quem sou.

 

Perdi-me: estrelas

Hoje és as estrelas. És parte delas e devias ser parte de mim. És as estrelas, e eu nunca tive coragem de te dizer o quanto gosto delas, e o quanto odeio que lhes pertenças.

Seres de alguém implica não deixares antes de teres, e tu és alguém que me deixou antes de me ter.

Mais uma vez, passámos perto um do outro e nenhum de nós se dirigiu um ao outro, e agora diz-me, também trabalhas com a lei “quem chega depois é quem tem de cumprimentar” Pois bem, porque se assim for, desrespeitaste a lei. Cheguei-me para mais perto, e vi-te a veres-me, e eu admito, também o fiz, mas de que vale isso se depois não passamos disto?

Sei que “quem é magoado aprende a magoar” – mais um ditado que me sinto obrigada a concordar – tu foste magoado, e caso não saibas estás a magoar-me a mim.

Quando te olho não tento dizer que te amo, nem que quero viver contigo para o resto das nossas vidas – até porque esta é uma promessa ridícula, sabes porquê? Ao prometer isto, prometo-te algo que não sei se temos: vida – nem sequer estou a tentar dizer que gosto de ti. Não que não goste, mas tu não me dás hipóteses de to dizer. Tu não me dás hipóteses, e se dás eu não as percebo.

Karma: “para teu desagrado vais sempre querer os maus, ou os que não podes ter”. Desagrado meu, em querer-te.

Há borboletas no meu estomago, e o coração aumenta a velocidade. O teu sorriso faz-me sorrir. Dizem que isto é amor, talvez seja apenas a mudança para a Primavera.

Mais um hematoma profundo. O mar não te levou, mas o céu levou-te, mas não de mim, porque na verdade nunca foste meu.

O céu levou-te para que ensines as estrelas a brilhar. E num céu cheio de estrelas és tu quem mais brilha. E ontem à noite, quando olhei para o céu tentei encontrar-te, e apercebi-me que te perdi mesmo sem nunca te ter, e quero dizer o quanto isto magoa mas receio que já o saibas. Tal como a vida te levou, também assim p céu levou as estrelas para longe.

Apresento-te este hematoma como forma de mim mesma, mas por favor, não busques por ele.

Sou um sossego confuso, e uma confusão calma, e é isto que eu sou.

Mergulhas nas estrelas, e eu mergulho em mim, e perco-me porque nunca fui quem sou. E deixa-me que me apresente de novo, quando souber quem sou.

 

Perdi-me: vento

Hoje és vento, és parte dele e devais ser parte de mim. És vento, e eu nunca tive coragem de te dizer o quanto gosto de sentir o vento, e o quanto odeio que estejas nele.

Sei que devias ser assunto encerrado, mas não és. Não consigo encaixar as últimas peças do puzzle e depois guarda-lo já feito, sem nunca mais pensar sobre ele, ou sobre o encaixe de algumas peças.

Sei que és tudo, menos o rapaz perfeito - e talvez por isso não me faças bem mas há tantas outras coisas que não me fazem bem.

Vi-te passar, lembras-te? Não falámos, nem chegámos perto um do outro, nem nada, sabes? Nada. Cada um na sua vida. – E agora, caros leitores, digam-me lá a célebre frase “E o que havia a dizer?”, ou então opinem ainda mais “Sempre devia ter sido assim que vocês deviam ter estado. Longe.”; Agora, por favor, permitam-me que vos corrija: havia e há sempre algo a dizer; e não, não era assim que deveríamos estar, nunca foi assim, e nunca assim será. Mas chega de histórias do “Romeu e Julieta”. Desde já, caro leitor, obrigada pela compreensão e colaboração, mas eu irei corrigi-lo sempre que necessário, para que não constem dúvida nem más compreensões.

Tu não és assunto encerrado, eu preciso de respostas às minhas perguntas.

Ele desistiu cedo demais de mim, dele e de nós; e eu odeio ter de pensar assim porque sempre acreditei que conseguia – estimados leitores, peço desde já desculpa por esta interrupção da história mas necessito de acalmar a vossa fome de amor com a verdade, e por favor, esqueçam as vossas conclusões precipitadas. – Ajudá-lo, no entanto apaixonei-me – caros leitores, eu pedi expectativas baixas e nada de conclusões precipitadas. Decidi saciar-vos a fome com a verdade, desculpem ter-vos desiludido em relação a tudo aquilo que eu queria com ele, em relação às minhas verdadeiras intenções, agora sabem a verdade.

Pensei que ele estivesse, e quando menos esperei o vento levou-o e nunca mais o trouxe. E quem me dera que com ele levasse também as memórias e sentimentos.

Mais um hematoma profundo.

Quando o vi passar esperei por um sorriso: algo que me fizesse pensar que estava bem, um aceno: algo que me fizesse pensar que estava feliz. Nem sorriso, nem aceno: ele não está feliz – E será que alguma vez eu o fiz feliz? Talvez também seja eu uma das causas para que ele esteja triste), ele não está vivo (há pessoas que morrem na carne porque a sua alma já está morta, e eu que gostava de discordar, tenho que concordar que ele já está morto. E talvez eu nunca o tenha conseguido fazer sentir-se vivo, ou talvez fui uma das causas da sua morte).

Vou aos sítios que íamos e pergunto-me se ele também o faz. Penso nele, e pergunto-me se ele também pensa em mim. Perguntas são o que não me falta, e respostas são tudo aquilo que mais falta me faz. E hoje, ele faz-me falta também, e será que ele sente a minha falta também?

“Olhos que não veem, coração que não sente” – deste ditado já posso eu discordar: eu não o vejo e sinto tanto. Sinto tudo. E eu sinto muito por sentir tanto.

Abro a janela, e o vento atropela a minha mente desassossegada e turbulenta. Hoje o vento usa o teu perfume. E ao soprar faz-me lembrar a tua voz, e o teu sorriso vem à minha mente como um fantasma desobediente que teima em não desaparecer.

Peço ao vento que te traga, ou que me leve?

Sou um sossego confuso, e uma confusão calma, e é isto que eu sou.

Mergulhas no vento, e eu mergulho em mim, e perco-me porque nunca fui quem sou. E deixa-me que me apresente de novo, quando souber quem sou.

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publicado por Menina Flor às 18:14





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