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O grito do socorro num silêncio profundo

Domingo, 24.06.18

Dor. Escrevo por dor. É a única coisa que sustenta o meu corpo quando já perdi tudo o que tinha.

Hoje é tarde demais para impedir que o sangue não escorra mais por esta pele, e que as lágrimas não sejam o conforto para o meu coração despedaçado. 

Desta vez não te perdi, desta vez perdi-me a mim mesma: perdi-me quando te ganhei, e foi desde esse momento que eu tive a certeza que já estava morta. O vazio apoderou-se de mim sem pudor e eu, imóvel, não pude fazer mais do que conformar-me com o meu destino. Aceitei-o, como quem aceita a sua morte; porque na verdade, não existe nada mais certo que a morte. E, a passos lentos, pesados, cansados e vagarosos sigo.

Neste momento, não me encontro parada apesar de estar imóvel; a minha mente ofusca imagens que desaparecem quando o silêncio se torna ensurdecedor. Uma noite em claro, sobre um dia tão escuro. E mágoa. Dor. Ódio. 

Dentro de mim algo dói, amarga, corrói e magoa; e depois disto nada mais. Nem mais um passo. Estou sozinha. E este vazio enche-me o peito de um sufoco imaginável.

Agora, estou inquieta, desassossegada, mas permaneço imóvel. Os sentimentos desapareceram e tenho a certeza que estou mais sozinha do que antes, agora já nem a mim me tenho.

Em tempos, fugi de quem eu era para não ser quem eu sou. E hoje, tento encontrar-me sem saber quem sou.

A cada passo perco o chão e a alma já não descansa: sou o meu próprio tormento. Sonhos despedaçados e levados com o vento são hoje os mais belos pesadelos.

É o fim: tenho amarras nas minhas mãos, o sangue escorre-me pelo corpo, e as lágrimas enchem-me a alma e eu morro afogada no meu próprio oceano.

Tenho feridas que não são visíveis, mas elas existem Segredos? Guardo-os em cada ferida que tenta cicatrizar. 

 

E há palavras que têm de ser escritas para que a dor passe, outras têm apenas de ser esquecidas para que nunca mais se recorde a dor:

 

«Sei de cor a cor da dor, mas às vezes pinto-a,

  Sei de cor o toque da dor, mas às vezes disfarço-o,

  Sei de cor o aroma da dor, mas às vezes esqueço-o,

  Sei de cor o sabor da dor, mas às vezes evito-o.

 

  E é dor;

  E é cor;

  E é toque;

  E é aroma;

  E é sabor.

 

  A minha alma já se rompeu;

  A minha cabeça já se perdeu;

  O meu coração já se partiu;

  O meu peito já entendeu;

  As minhas lágrimas já se esgotaram;

  E o meu sangue já está todo derramado;

  Tudo o que me resta é dor.»

 

Mil gritos no silêncio, um pedido de socorro e nenhuma ajuda.

Só sobra lugar para um corpo sem terra que se sustenta nos pés sem chão.

E agora sou eu, só eu. À procura de um caminho de volta, sem saber para onde hei de voltar.

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publicado por Menina Flor às 14:50





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