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Por ti: eu matei e morri

Sexta-feira, 09.06.17

O que falta aqui? Falta quem prometeu ficar, falta cumprir todas as promessas e desejos. O que me falta aqui? Faltas-me tu, simples assim – mas não é por isso que vens, e não é por isso que me vês (sou-te tão invisível). Faltas-me, e que mais há a dizer sobre a tua falta? Faltas-me, tanto e infinitamente. Faltas-me como se alguma vez estivesses presente em mim. Faltas-me como se me faltasse o mundo inteiro. Faltas-me, e sinto falta de quando não me fazias falta nenhuma. O que me falta aqui és tu.

Neste pequeno sítio estou eu. Numa sala fechada. Sem saber o que fazer. Estou sentada no chão, e tenho ao lado uma garrafa - a primeira do dia – dentro dela tenho 86400 gotas que consumo, por vezes rápido e sem que por isso consiga sentir o sabor amargo a álcool, outras vezes tão lentamente que sinto todo o seu sabor sem o conseguir evitar, consumo-o enquanto ele me consome a mim, sem dó ou piedade. Estou cativa dele porque ele me cativa, enquanto quase preenche o vazio que tu me fazes sentir – odeio a tua ausência.

Encho mais um copo e transbordo-o de bebida, mais do mesmo e nada de novo. Álcool, meu estimado amigo, que tanto desejo quando de ti não me faltam desejos.

És uma tentativa de acerto que sempre que tento cumprir, erro cada vez mais: Somos um erro é verdade, mas não é por isso que te nego. Talvez eu goste de errar sei lá, ou talvez eu goste tanto de ti que não me importo se erro ou não.

Não me sinto segura, quando me olhas. Sinto um vazio enorme nos teus olhos, quando me encaras. Sinto tristeza na tua voz, e mágoa na tua alma. Sinto-me dona do mundo quando falo de ti, e sinto que não devia sentir tanto. Mas sinto, desculpa-me: sinto muito por sentir tanto.

Sinto-te. Um toque leve e suave. Sinto-te. E espero que tu também me sintas. Sinto-te, e desejo não te sentir mais. Rendo-me completamente aos teus jogos, e estou, novamente, aos teus pés. Não sei como, mas sinto-te tanto como quem sente tudo, e não evita nada. Não te evito mais. Se olhas, eu não desvio o olhar, nem por um segundo. Se sorris, faço-te o mesmo… mas tu já não me sorris, tu já nem me olhas.

Tenho lágrimas nos olhos, e o coração nas mãos. E tu, tens as mãos nos bolsos, e o coração no peito de outro alguém. Enquanto te olho, tu olhas para ela. Enquanto te amo, tu ama-la a ela. Talvez no dia que eu não te ame, tu a deixes de amar.

Mais uma bebida e um suspiro. As horas passam e o tempo não me muda, nem por um segundo.

Desejo dizer-te o que me impede de te olhar mas tu estás demasiado ocupado. Não me permito mais chorar por ti, alucino um pouco, e estou noutra realidade (naquela onde tu e eu existimos) - a única que não existe. A realidade parece tão absurda quando passo por ti, parece que esta não existe e apenas nós os dois existimos; na real, nós existimos, mas separados.

Penso em ti como quem te chama, e sem hesitar grita o teu nome: quero parar as saudades mas nunca soube como o fazer. Quero dizer-te tanta coisa, e acabo por apenas passar por ti, e baixar a cabeça.

Apercebi-me que há certas coisas na vida em que ou nós morremos por elas, ou elas nos matam: e por ti? Por ti eu matei, e morri também.

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publicado por Menina Flor às 23:53





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