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Quando te falo em nome do amor

Terça-feira, 13.02.18

É o fim. Há histórias que acabam antes de começar. Vivemos aquilo que não queríamos e nem chegou ao início, mas agora é o fim. E que mais há a dizer sobre o fim? Nada, palavras são inúteis e os sentimentos são desprezados. E assim é o fim, permanente na dor profunda do que não há, do que já foi, do que não volta. E é exatamente o que não volta que eu queria que voltasse.

Olho-me ao espelho, e não vejo mais amor – e caro leitor, não se sinta mal, é só um fim. Uma linha que acaba, olhe para o horizonte e perceba que até o infinito um dia irá ter fim, e sei que pareço contraditória mas a dor também o é, e foi ela que se apoderou de mim – sou o fim daquilo que achei que fosse o início, e como pode alguém dar rosas, se tudo o que lhe pertence são espinhos?                    

É o fim, e não há palavra mais adequada do que ela mesma, por si. É o fim de um amor que eu pensei não ter fim, e hoje vejo-me aqui sozinha e sem amor, e pergunto-me se a vida continua depois disto, porque vejo as horas a passar e tudo passa num cenário enquadrado na realidade e tento acreditar que é apenas um pesadelo… - e é, um pesadelo chamado realidade, e vou ter de viver com ele até ao meu último dia.

E depois das promessas resta a saudade. E eu sinto saudades tuas, e tu tens promessas por cumprir, e mais do que promessas e saudades é o amor que sinto que mata e me faz viver para ti.

Estou sentada a ler o diário do nosso amor, abro uma página aleatória: vou amar-te, até a ultima gota de sangue se derramar – o amor é um suicido, uma morte lenta que faz querer viver (mais uma contradição: tal como nós já fomos o que fomos, e hoje não somos nada) - e quem diria que o meu sangue seria tão rapidamente derramado e por isso te entreguei todo o amor que tinha, e hoje vejo-me aqui sem ele e sem ti.

Dizes-me que já não te amo: e eu talvez nem te tenha amado como tu querias. Eu não digo que te amo todas as vezes que olho para ti, eu não falo contigo sempre que posso, eu não sou carinhosa de todas as vezes que precisas, eu nem sequer te digo o quão importante para mim és, e isto tudo revela também o amor que tenho por ti porque de todas as vezes que olho para ti eu admiro-te em segredo, desejo-te, e quando não falo contigo estou a pensar na melhor forma de te dizer tudo aquilo que quero e mostrar-te o quão bonita a vida é ao teu lado, e quando perdi tempo com tudo o que tentei tu foste-te e eu nunca disse que te amava. Mas a verdade é que eu amo, amo e muito. E se to disse vinte e novo vezes foi muito e eu sei que quem não fala não sente, mas eu não falo mas sinto, sinto e muito, e eu sinto tanto por sentir tanto e não dizer nada.

E hoje falo em nome do meu silêncio, em nome das palavras que não disse e dos sentimentos que não demonstrei mas meu amor, amar é mais do que dizer que te amo, amar é quando me preocupo contigo, quando cuido de ti, quando te mando uma mensagem mesmo sabendo que não vais responder, é noites em branco e mil pensamentos, amar-te é uma forma de te desejar quando olho para ti, e quando te olho desejo-te o mundo, e se eu não o for peço-te que vás e o guardes em tuas mãos porque mais do que um sorriso é a garantia que vais estar bem.

Ao escrever-te peço-te que me leves no peito, com carinho, por tudo aquilo que te dei, porque no fim nada mais importa, e eu sei que para ti o fim é um recomeço, para mim pode ser o trágico de uma história de amor mal acabada.

A partir de agora tudo me parece possível já que o fim do infinito acabou por acontecer.

Que este texto seja para ti o fim de uma relação e o fim de uma angústia sofrida.

Quando recolher do jardim todos os meus espinhos, e quando cada um deles me picar de forma a que nada mais doa, espero que tu já tenhas as rosas prontas para lhe dar. E espero que a tua mão já esteja firme o suficiente para lhe dares a segurança de um amor. Mas nunca te esqueças que tudo o que começa tem um fim, e o amor também começa.

Se voltares, vou receber-te com todo o conforto, mas diz-me preferes que prepare um café ou o meu peito?

Amo-te e mesmo que não voltes vou esperar por ti.

Amo-te.

Esperarei por ti. Com ou sem o teu amor, eu ainda vou estar aqui.

Amo-te. – e é o fim, aquilo que custa, doí e machuca, a ferida que aleija mas que não se vê.

(Dava tudo para que voltasses mas a realidade faz-me perceber que já não estou em ti)

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publicado por Menina Flor às 15:04


1 comentário

De Anónimo a 12.06.2018 às 11:35

Lindas palavras Margarida. Continua e tudo terás de bom! Beijinhos Eugénia(Geninha)

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