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Quanto mais te quero, menos te tenho

Sexta-feira, 01.06.18

Habituaste-me à ideia de um amor que dói, amarga e destrói, de um amor sem amor, de um amor que perfura pela sua inexistência, de um amor mal-amado, de um amor que existe na saudade daquilo que não existiu, de um amor consumista do corpo; e mesmo sem o teu amor, eu amo-te.

E quanto mais te quero menos te tenho, e tu quanto menos me queres mais me tens, e sempre que avanço tu recuas e eu prometo não te querer nunca mais, mas é me impossível recusar-te.

Quero-te mais do que devo, tenho-te menos do que mereço. E eu contigo não soube o que era o amor: não há amor quando apenas um ama com tudo o que tem, e o outro apenas deseja o banal – corpo – e foge, depois de mais uma noite de morte do desejo insaciável, com medo de se tornar refém do amor.

E, meu amor, o amor é assim: um tiro no escuro – dar a arma ao outro e deixar que ele dispare (boa sorte, é a primeira causa de morte no mundo).

E o amor é um jogo que tu não jogas e eu sou suplente, estou no banco pois neste jogo em que desconheço as regras quero estar ausente, e se for possível não entrar em campo; e agora diz-me tu: quantos jogos jogas tu sem conheceres as regras? Usando apenas a tua regra fazeres amor sem amor – e isso é tudo menos amar, porque quem ama não tem hora, data e não se segue por os horários do hotel, e tu fazes do horário do hotel o teu tempo, e já faz tanto tempo que tu não tens tempo.

Sei-te de cor e tu nem procuras saber-me, e eu deixo-me ir na mentira de um amor mal-amado e sem amor; e mais um “amo-te” sem amor que se aproxima e recorres novamente à estratégia de fuga depois de uma noite – e se não me queres amar foge para nunca mais voltar, porque do teu amor estou eu farta: juras e promessas sem fim de um amor que nunca existiu.

Tu já não me sorris, e noto-te um modo diferente; já não me tocas, e eu já nem te noto a entrar em casa quando já é tarde demais para duas almas despedaçadas, que se deitam no mesmo colchão sem amor na jura de que tudo vai mudar, na jura de um amor eterno; e por mais que eu gostasse da tua presença, o meu desejo é a tua ausência porque foi a ela que me habituei e, sem dúvida, foi sempre ela que me confortou todas as noites em que nem sequer vinhas, ou de todas aquelas vezes que me provaste este  não querer mas ter, ao qual pertence um amor sem amor.

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publicado por Menina Flor às 22:53


1 comentário

De Anónimo a 08.06.2018 às 00:39

Adorei...continua por favor

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