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Quero alguém que eu nunca soube quem é: quero-te

Sábado, 03.06.17

Quero-te, mas não te tenho. Desejar-te não te torna real em mim. Quero-te, mas estás longe. Tenho-te em mim, quando penso em ti. Guardo-te em mim. 

Um instante é demasiado tempo. E o tempo é curto. Dois instantes são o prolongamento da estrada para o meu maior inferno: a realidade - onde não me pertences.
A carta que não te entrego, leio-a e sem receios penso em ti. Quando te escrevo, erro. E depois troco o vício de te querer pelo sabor amargo do álcool, e pela nicotina do tabaco. Talvez eles me façam mal, mas acredita que tu fazes pior.

Sinto-me longe de mim mesma quando te olho. Depois adormeço, e deixo-me ir no meu sonho de te ter. 
Já não me conheço, e tenho tantas saudades minhas. Penso no que era, e comparo-me com o que sou. Pergunto-me se tu também o fazes. Fecho os olhos e deixo que as minhas inseguranças escorregam em forma de lágrimas de sangue. Estou bem, são pequenas dores apenas. E nenhuma delas se compara com a dor que me atropela de tanta saudade de ti.

Quero dizer o quanto desnecessário foi falar contigo da última vez. Não passas de uma possibilidade que já não tenho. Honestamente, estou bem. Vou ficar melhor quando te apagar completamente de mim.

Quero-te. Quero-te tanto como sei que me quiseste, e talvez seja este o meu maior problema - eu interpretei-te como se me quisesses mais que ninguém e tu quiseste-me tanto ou tão pouco como todos os outros; e eu quero-te como nunca ninguém te quis (Quero-te como a inversão de todos os meus valores e, sem que mesmo assim, eles se invertam. Quero-te, mas só te quero se me quiseres a mim primeiro. Quero-te, mas não sei se chego a tempo para fazer o que ela te faz, e dar-te o que ela não te dá. Quero-te, sem razão, nem início ou fim. Quero-te, mas quero que me queiras, e se tu não me queres, então eu também não te quero.)

Vejo-te passar. Leva-la de mão dada, e fui eu que te dei a minha mão, e hoje sou eu que caminho sozinha. Vejo-me passar. Levo-te no meu peito, e nas minhas últimas lágrimas, foste tu que me as fizeste verter, mas foste tu também quem as secou. E eu odeio-te por esta indecisão de um querer escondido, e de um não querer aberto ao mundo.
Caos. És um caos. E hoje, eu sou também.

Tantas rosas no jardim e tu só me dás espinhos. E se quero rosas sou iludida, se quero também os espinhos sou exigente, se só quero os espinhos sou louca.

É tão triste querer-te tanto, e não te ter nem por um instante.

Hoje sais, e já não voltas. Amas-me sem sequer gostares de mim. E eu? Eu desejo-te covardemente e estupidamente.
Sinto-me num beco sem saída ou entrada, e nem sei como é que vim cá parar. Estou encurralada; tenho amarras nos braços, e cordas nós pés: tal como eu, a nossa relação já nem membros tem, logo nunca irá caminhar. Penso nisto até me destruir mais um pouco, e depois afasto-me de todos estes pensamentos.

Contaram-me que hoje só falas dela. Contaram-me que te tornaste mais adulto, que cortaste o cabelo, que te apaixonaste por ela ao primeiro olhar. Contaram-me isto e mais um milhão de coisas. Não consegui fixar todas... Contaram-me tanta coisa e eu fiquei obcecada por ser ela, porque tu não te apaixonaste por mim no primeiro olhar, sinceramente tu nem te apaixonaste por mim. Queria ser ela para te ver crescer e mudar. Queria ter-te a meu lado para em vez de escrever o quanto te quero, escrever o quanto me fazes bem.

Sou uma pintora surrealista que pinta a realidade tal como ela é: só mais uma contradição no meio de uma tempestade do meu mar calmo.

És alguém que eu já não sei quem é, e eu sou alguém que já não sabe quem é. Afinal, quem somos nós?

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publicado por Menina Flor às 10:24





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