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Em Nome do Silêncio

Em Nome do Silêncio

01
Out21

Suspensão

Margarida Martins

A vida amarga que levo

não me permite viver.

Do pouco mais que nada,

Sobra-me o corpo

No qual a alma

não se permite ser.

 

De todos os pedidos de socorro,

são as preces que devolvem

fragmentos da alma

ao corpo

que outrora esta abandonou.

Quão pequena será a alma,

para fazer parecer que

Todo o resto, nada mais é

Que tamanha imensidão?

 

Esta alma que é minha,

e este corpo que me foi oferecido

existem na suspensão:

Entre a soturna despedida dos dias que não viverei

E os que fragilmente me restam viver.

 

Do corpo gasto

nada resta

A não ser minh’alma

coberta das preces que não cumpri.

Corpo e alma suspensos,

no vazio que sempre lhes pertenceu.

 

Do início,

Ao fim,

Levo a vida

como se não fosse ela

a levar-me a mim.

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